
O deputado estadual Matheus Cadorin (Novo) apresentou na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) um projeto que busca criar uma política de compensação histórica para a região do Contestado. A proposta foi anunciada durante a edição da Alesc Itinerante em Mafra e prevê a criação de uma área com benefícios fiscais federais, nos mesmos moldes da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
A iniciativa surge a partir de um estudo realizado pelo gabinete do parlamentar, que identificou uma sobreposição entre as cidades com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado e o território atingido pela Guerra do Contestado na década de 1910. O conflito, considerado um dos maiores movimentos armado da história do Brasil, deixou cerca de 30 mil mortos e comprometeu o desenvolvimento da região. Segundo Cadorin, esse atraso histórico ainda é perceptível.
“Historicamente, regiões que sofrem conflitos se desenvolvem com menos velocidade. Foi uma tragédia, e mais de cem anos depois ainda sentimos o reflexo disso no Planalto catarinense”, afirmou Cadorin.
O projeto prevê quatro audiências públicas na região, que vão reunir moradores, historiadores e lideranças locais para definir de forma técnica os limites da área contemplada. O objetivo é construir um documento oficial da Alesc a ser encaminhado à bancada federal catarinense e, posteriormente, à Presidência da República. Para o deputado, o reconhecimento federal é fundamental.
“Se no Brasil já existe uma região que recebe benefícios fiscais por ter características semelhantes, é justo que Santa Catarina também seja contemplada. Esse dinheiro precisa ficar aqui para acelerar o desenvolvimento do Planalto”, destacou ele.
Além da reparação histórica, a proposta também mira no futuro. Cadorin defende a diversificação econômica do Planalto, historicamente dependente da atividade extrativista e recentemente afetado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Apesar de não ter representantes diretos eleitos pelo Planalto Norte, o deputado garante que a Assembleia deve assumir essa responsabilidade.
“Não dá para depender apenas do extrativismo. É preciso levar indústrias, inovação e agregar valor à produção local. Só assim vamos evitar o êxodo dos jovens e criar oportunidades reais dentro da região. Se essa região vai bem, todo o estado vai bem. É uma visão de estadista que precisamos adotar”, concluiu.
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