
A passagem do navio chinês Ark Silk Road pelo Brasil foi marcada por incertezas e desconforto entre autoridades militares e diplomáticas. A embarcação, ligada à Marinha da China, atracou no Porto do Rio de Janeiro sem que houvesse explicações detalhadas e públicas sobre os reais objetivos da visita, o que gerou questionamentos internos no governo brasileiro.
Apresentado pelo consulado chinês como um navio-hospital integrante da Missão Harmony 2025, o Ark Silk Road estaria em uma operação internacional com ações médicas e culturais em países da Oceania, Caribe e América Latina. No entanto, documentos diplomáticos que autorizaram a atracação no Brasil não indicavam caráter humanitário ou prestação de serviços de saúde.
Integrantes da Marinha do Brasil apontaram que o navio possui equipamentos e sensores considerados avançados, incompatíveis com o perfil tradicional de navios-hospital, o que aumentou as dúvidas sobre a natureza da missão. A inexistência de acordos bilaterais específicos entre Brasil e China para esse tipo de operação também contribuiu para o clima de cautela.
O episódio ocorre em um contexto de maior disputa geopolítica na região, com presença militar ampliada dos Estados Unidos na América do Sul. A coincidência de missões estrangeiras no litoral brasileiro colocou o país em posição sensível diante de interesses estratégicos de grandes potências.
Diante do cenário, o governo brasileiro optou por uma postura discreta, sem cerimônias oficiais, e afirmou que a atuação da Marinha se limitou aos procedimentos técnicos de atracação. O Itamaraty informou que segue buscando esclarecimentos junto às autoridades chinesas, enquanto conselhos profissionais levantaram dúvidas sobre a legalidade de eventuais atendimentos médicos realizados a partir do navio.



