
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) manifestou preocupação com a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de suspender a aplicação imediata de medidas antidumping sobre as importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai.
A decisão ocorre mesmo após o reconhecimento, por parte do Governo Federal, da existência de práticas desleais de comércio nas importações dos dois países. Segundo o setor produtivo, a investigação identificou a prática de dumping — quando produtos são comercializados no mercado externo por preços abaixo do valor considerado justo — e recomendou a aplicação de tarifas para corrigir a distorção.
No entanto, a adoção das medidas foi suspensa para a realização de uma avaliação de interesse público, mecanismo que permite ao governo analisar possíveis impactos econômicos e diplomáticos da decisão, especialmente no contexto das relações comerciais do Mercosul.
Para a Faesc, a medida mantém os produtores brasileiros em situação de vulnerabilidade diante da concorrência internacional. O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, destacou que Santa Catarina possui uma das principais cadeias leiteiras do país e que milhares de famílias dependem da atividade para geração de renda.
Segundo ele, a entrada de produtos importados com preços artificialmente reduzidos compromete a competitividade da produção nacional, reduz a rentabilidade das propriedades rurais e pode desestimular novos investimentos no setor.
A entidade também manifestou apoio às ações conduzidas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que participou das discussões sobre o tema e defende a adoção de mecanismos de proteção comercial para garantir condições equilibradas de concorrência.
De acordo com a CNA, a aplicação das medidas antidumping não teria impacto significativo sobre a inflação ou sobre os principais produtos lácteos consumidos pela população. A entidade argumenta que o leite em pó representa uma parcela reduzida do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e que itens como leite longa vida, queijos e derivados não seriam diretamente afetados.
O debate ocorre em um momento de aumento das importações de leite no Brasil. Dados do setor apontam que, em 2026, as compras externas atingiram novo recorde, com a Argentina e o Uruguai respondendo por cerca de 90% dos 604 milhões de litros equivalentes importados pelo país.
Representantes da cadeia produtiva afirmam que os preços praticados pelos exportadores apresentam distorções que chegam a 60%, cenário que, segundo o setor, reforça a necessidade de medidas de defesa comercial para preservar a competitividade da produção nacional.






