
As apostas online já fazem parte da realidade de 54% das mulheres brasileiras, seja pela experiência direta ou pela convivência com familiares que apostam. O dado é da pesquisa “Mulheres & Bets”, realizada pelo estúdio CLARICE em parceria com a Estratégia Latina e o IDEIA. O levantamento mostra que 42% das mulheres já apostaram ou ainda apostam em plataformas digitais.
Entre as principais motivações está a tentativa de melhorar a situação financeira. 21,5% dizem buscar renda extra, 19% querem ganhar dinheiro rapidamente, enquanto 16% utilizam as apostas como tentativa de pagar despesas básicas e 11,5% para quitar dívidas.
As mães aparecem entre os grupos mais expostos. 22,7% das mulheres com filhos apostam, contra 14,6% das que não têm filhos. Além disso, 72% das apostadoras entrevistadas são mães, cenário que pode estar relacionado à busca por uma fonte complementar de renda.
O tipo de aposta também apresenta diferenças entre os gêneros. Enquanto os homens demonstram maior preferência pelas apostas esportivas, 48% das mulheres apostadoras preferem cassinos online, incluindo jogos como roleta e o chamado “Tigrinho”.
As redes sociais e os círculos de convivência têm papel importante na entrada das mulheres nesse universo. 24% conheceram as apostas pelas redes sociais, 23% por amigos, 18% por influenciadores e 14% por familiares. A pesquisa alerta ainda para a atuação dos chamados microinfluenciadores, como amigos e parentes que compartilham links de plataformas.
Os impactos, porém, vão além das perdas financeiras. O estudo registra relatos de ansiedade e depressão entre mulheres após o início das apostas. Mesmo diante dessas consequências, apenas 13% das mulheres que apostam ou já apostaram buscaram ajuda.
Para os pesquisadores, o problema das bets deixou de ser apenas uma questão governamental e passou a envolver famílias, empresas e toda a sociedade. Entre as consequências estão perda de produtividade e redução da capacidade de trabalho, reforçando a necessidade de ações de prevenção, orientação e recuperação.
A pesquisa quantitativa ouviu 2.008 pessoas em todo o Brasil, entre 8 e 9 de julho, seguindo a distribuição populacional do Censo 2022 e da Pnad 2025. Também foram realizadas entrevistas qualitativas com 60 pessoas, com foco em mulheres de 18 a 58 anos das classes C, D e E nas regiões Sudeste e Nordeste.