
A produção industrial de Santa Catarina já mostra os efeitos do aumento das tarifas norte-americanas sobre as exportações brasileiras. Em agosto, o índice medido pelo IBGE registrou queda de 1,8% em relação a julho, refletindo tanto a redução de pedidos internacionais quanto a desaceleração da demanda interna.
“O números da produção industrial comprovam o que o industrial já vinha sentindo: uma redução no número de pedidos, reflexo principalmente das altas tarifas para os Estados Unidos, mas também de uma desaceleração da demanda interna em alguns segmentos”, explicou Gilberto Seleme, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).
Dados do Observatório FIESC mostram que a fabricação de produtos de madeira foi a mais afetada, com retração de 8,4% frente ao mês anterior. Segundo Pablo Bittencourt, economista-chefe da Federação, o resultado se deve à antecipação de pedidos dos clientes americanos — que elevou estoques — e à redução da demanda provocada pelo aumento de preços devido às tarifas.
Santa Catarina lidera a exportação brasileira de produtos de madeira para os EUA, com 41% dos embarques destinados ao país em 2024.
O setor de metalurgia também registrou queda expressiva de 7%, reflexo das tarifas norte-americanas sobre produtos catarinenses. A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias recuou 7,5%, principalmente por fatores domésticos: juros elevados que encarecem o crédito e atrasam investimentos em caminhões e outros bens duráveis, além do alto endividamento das famílias, que reduz a venda de veículos leves, exceto os incentivados pelo programa Mover.
Apesar do crescimento de 0,6% na produção de móveis, o economista alerta que o setor enfrenta desaceleração contínua desde o fim de 2024, afetado pela demanda interna fraca e pelo alto nível de juros. As exportações de móveis para os EUA caíram 55% em setembro, o que deve pressionar a produção nos próximos meses. Santa Catarina concentra quase metade das exportações brasileiras de móveis destinadas ao mercado americano.
Além disso, bens intermediários, como produtos químicos (-1,6%) e produtos de borracha e plásticos (-1,9%), também apresentaram retração, sinalizando que a desaceleração industrial pode se estender nos meses seguintes, especialmente em segmentos ligados à produção de embalagens.
O cenário indica que a indústria catarinense enfrenta desafios tanto externos, pelas tarifas internacionais, quanto internos, com crédito mais caro e consumo enfraquecido, exigindo estratégias de adaptação para manter a competitividade nos próximos meses.
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