A atuação da Justiça Eleitoral durante as eleições de 2026 voltou ao centro do debate após uma manifestação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em declaração publicada na segunda-feira (2), o magistrado fez críticas à condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afirmou que a ausência de posicionamentos em momentos importantes pode comprometer a segurança institucional.
Ao avaliar o funcionamento da Corte durante o processo eleitoral, Gilmar destacou que a atuação conjunta dos ministros foi decisiva para garantir a realização das eleições. No entanto, ponderou que a responsabilidade pela estabilidade do sistema não deve ficar concentrada na capacidade de articulação do colegiado.
"Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado", afirmou.
O ministro também defendeu que a presidência do TSE precisa atuar com equilíbrio e independência diante das disputas políticas. Segundo ele, quem está à frente do órgão responsável pela organização das eleições deve exercer uma função de árbitro, mantendo distância dos interesses envolvidos no processo.
Na manifestação, Gilmar foi enfático ao abordar a ausência de decisões ou posicionamentos em determinadas situações.
"Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros", declarou.
Para o magistrado, a falta de uma atuação mais firme pode abrir espaço para decisões contraditórias, transferir questões para outras instâncias do Judiciário e alimentar questionamentos sobre a credibilidade das instituições.
Embora não tenha mencionado diretamente o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, as declarações foram direcionadas à condução da Corte durante o período eleitoral.
As críticas surgem em meio aos desdobramentos de uma eleição marcada por disputas políticas e questionamentos envolvendo decisões da Justiça Eleitoral. Um dos episódios ocorreu no segundo turno, em 25 de outubro, quando dificuldades no transporte público de eleitores motivaram pedidos de ampliação do horário de votação. A questão chegou ao STF, que determinou a prorrogação da votação até as 19h em todo o país.
Ao concluir sua avaliação, Gilmar Mendes reconheceu que o colegiado conseguiu cumprir sua função na preservação do processo eleitoral, mas deixou um alerta sobre a responsabilidade de quem ocupa posições de comando. Para o ministro, a credibilidade da Justiça Eleitoral também depende de uma presidência capaz de tomar decisões e se posicionar diante de situações que exigem respostas institucionais.
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