
A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, desencadeou uma reação imediata de sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira (05), os advogados pediram que a Polícia Federal (PF) apresente os elementos que embasaram o pedido de prisão preventiva cumprido na quarta-feira (04), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
A ordem de prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, que citou suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos supostamente praticados por uma organização criminosa. No entanto, os advogados afirmam que não tiveram acesso prévio aos documentos que sustentam as acusações e cobram transparência sobre as provas utilizadas na investigação.
Em nota assinada pelo advogado Edson Gushiken, a defesa solicita esclarecimentos sobre as datas das mensagens atribuídas a Vorcaro e mencionadas na decisão judicial. Também pede comprovação da existência de um suposto grupo de mensagens chamado “A Turma”, citado pela investigação, além de informações que indiquem se o banqueiro realmente participava da conversa.
Outro ponto questionado pelos advogados envolve as supostas invasões de sistemas de órgãos públicos e a remoção de conteúdos em plataformas digitais. A defesa também pede detalhes sobre a alegação de bloqueio de R$2,2 bilhões em uma conta atribuída ao pai do empresário e solicita documentos que comprovem pagamentos que, segundo a PF, sustentariam uma estrutura de vigilância e intimidação contra pessoas consideradas adversárias dos interesses do banqueiro.
De acordo com as investigações, os pagamentos seriam realizados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como uma espécie de contador informal do grupo, que também foi preso. Entre os supostos beneficiários estaria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no celular do banqueiro como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário”, que receberia cerca de R$1 milhão mensais para atividades ligadas à obtenção de informações sigilosas e monitoramento de pessoas.
Após ser detido, Mourão foi levado para a carceragem da PF em Belo Horizonte, onde teria tentado tirar a própria vida. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital pelo Samu e permanece internado em estado grave, com suspeita de morte cerebral. Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, quando foi detido no Aeroporto de Guarulhos ao tentar deixar o país, sendo liberado dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).










