COP30 apresenta na Turquia roteiro para US$ 1,3 trilhão ao clima
Relatório indica que países em desenvolvimento podem receber de US$ 1,27 trilhão a US$ 1,41 trilhão por ano até 2035, desde que governos, bancos e investidores adotem medidas
O Mapa do Caminho e o novo relatório podem servir de referência para esta etapa de implementação acelerada (Foto por Reprodução/COP30)
A Presidência brasileira da COP30 apresentou neste domingo (8), em Antália, na Turquia, um relatório com caminhos para que o financiamento climático destinado a países em desenvolvimento chegue a pelo menos US$1,3 trilhão por ano até 2035. O documento foi divulgado na véspera da abertura da COP31 e no último dia oficial do Brasil à frente da conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU).
O texto foi apresentado pelo presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago. Chamado de "Implementação do Mapa do Caminho de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão", ele dá continuidade ao roteiro lançado em novembro de 2025 pelas presidências da COP29 e da COP30.
A meta e a distância até ela
O valor de US$1,3 trilhão por ano foi fixado na decisão do Mutirão Global, adotada na COP30, em Belém. Ele representa o que se estima que os países em desenvolvimento precisem receber para reduzir emissões, trocar combustíveis fósseis por energia limpa e se proteger de eventos climáticos extremos.
Pelo relatório, se as tendências atuais forem mantidas, o financiamento internacional ficaria entre US$458 bilhões e US$461 bilhões por ano em 2035. Com as medidas propostas, a estimativa sobe para a faixa de US$1,27 trilhão a US$1,41 trilhão.
O documento aponta como obstáculo a queda recente do financiamento público dos países ricos. A ajuda oficial ao desenvolvimento, segundo o texto, passou de US$288 bilhões em 2023 para US$174 bilhões em 2025.
Seis fontes de recursos
O relatório se concentra em seis fontes para fechar a conta:
- Financiamento público e concessional: doações e empréstimos a juros baixos de países ricos, fundos climáticos e bancos de desenvolvimento, como o Banco Mundial. O fluxo atual, de cerca de US$ 160 bilhões por ano, subiria para até US$384 bilhões.
- Investimento privado: hoje estimado em cerca de US$94 bilhões por ano, precisaria chegar a US$882 bilhões. Para isso, governos e bancos públicos teriam de reduzir riscos com garantias, seguros e proteção contra a variação do câmbio.
- Cooperação Sul-Sul: países em desenvolvimento, como a China, ajudando outros do mesmo grupo. A média de US$3 bilhões poderia chegar a US$39,5 bilhões por ano, sem substituir a responsabilidade dos países ricos.
- Direitos Especiais de Saque: reservas mantidas no Fundo Monetário Internacional (FMI) que países com contas externas sólidas poderiam repassar, com potencial de até US$20 bilhões por ano.
- Mecanismos inovadores: taxas sobre super-ricos, transações financeiras, criptomoedas, passagens aéreas, transporte marítimo e combustíveis fósseis, com parte da arrecadação voltada ao clima. O potencial é de até US$129 bilhões por ano.
- Mercados de carbono: entre US$40 bilhões e US$144 bilhões por ano, dependendo do preço do carbono e de regras que garantam que as reduções de emissões sejam reais.
Proposta não é vinculante
O relatório não foi negociado nem aprovado pelos países, e as medidas não precisam ser seguidas pelas delegações que participam da COP31. Corrêa do Lago descreve o texto como uma contribuição voltada a transformar decisões em ações.
Contribuição "não prescritiva, feita por iniciativa da Presidência brasileira para ajudar a transformar as decisões de Belém em ações concretas".
No prefácio, o embaixador afirma que "as evidências existem, os instrumentos são conhecidos" e ressalta que governos, bancos centrais, bancos de desenvolvimento e investidores já dispõem de muitas das ferramentas necessárias.
Como acompanhar o cumprimento
Para medir o andamento do plano, o relatório propõe a Bússola de Ação para o Financiamento Climático. A ferramenta avalia quatro dimensões: escala, velocidade, alcance e impacto do dinheiro. O objetivo é verificar se os recursos crescem no ritmo necessário, chegam aos países e setores que mais precisam e geram resultados mensuráveis.
O relatório também traz um quadro de implementação, chamado 5x5, desenvolvido com o Grupo Independente de Especialistas de Alto Nível sobre Financiamento Climático. Ele liga as cinco frentes de ação do roteiro de 2025 às principais prioridades de investimento.
Próximos passos
O documento chega quando a comunidade internacional se prepara para iniciar, na COP31, o segundo Balanço Global do Acordo de Paris. A Presidência da COP30 reconhece dificuldades como tensões geopolíticas, dívidas altas de países pobres e desconfiança entre nações ricas e pobres.
O material agora passa às mãos das presidências da COP31, na Turquia, e da COP32, na Etiópia. A Presidência brasileira defende mais cooperação dentro e fora da Convenção do Clima da ONU para que a meta saia do papel.
Continue por aqui
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.














