Brasil tem o maior juro real entre 40 países, aponta ranking
Taxa de 9,05% é mais de sete vezes a média de 1,27% do levantamento da Moneyou, após o Copom manter a Selic em 13,75%
Sede do Banco Central, em Brasília. Foto de arquivo, de 2023, usada como ilustração. Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)
O Brasil tem a maior taxa de juros reais do mundo, de 9,05%, segundo ranking da consultoria de mercado Moneyou divulgado nesta semana. O resultado é mais de sete vezes a média dos 40 países analisados, de 1,27%. O juro real é a taxa de juros descontada a inflação de cada país.
Depois do Brasil aparecem Turquia (7,77%), Argentina (6,80%), Rússia (6,57%) e Colômbia (4,05%). Completam a lista dos dez primeiros:
- Indonésia (3,67%)
- México (3,26%)
- África do Sul (2,93%)
- Hungria (2,04%)
- Chile (1,69%)
No levantamento anterior, de setembro, o Brasil já liderava, mas com juro real de 8,45%.
Copom interrompeu queda da Selic
O ranking saiu depois da reunião da quarta-feira (4), na qual o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão interrompeu a trajetória de queda iniciada em abril. Como a RCO mostrou, a manutenção da Selic mantém o crédito pressionado.
Em comunicado, o Copom informou que as incertezas aumentaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação seguem acima da meta. O comitê não indicou o que fará nas próximas reuniões.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Na medição acumulada em 12 meses, a inflação subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, de 4,5%.
Críticas da indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a manutenção dos juros como “injustificável” e disse que a decisão custa caro para empresas e famílias. O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a continuidade da queda.
“É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior.”
O ministro da Fazenda também já havia defendido a redução da taxa, que considera muito alta.
Peso na dívida pública
Segundo dados do Banco Central, os juros elevados são a principal causa do aumento da dívida pública. Nos últimos 12 meses, eles consumiram mais de R$1,1 trilhão do orçamento, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida pública passou de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026. Agentes do mercado financeiro cobram corte de gastos para estabilizar o endividamento. Economistas críticos da política monetária do BC afirmam que, se os juros são o maior fator de alta da dívida, o caminho deve ser uma política que leve à redução da taxa.
Na região Oeste, a RCO já registrou que mais de 17 mil pessoas estão inadimplentes em nove municípios, cenário em que o custo do crédito pesa no orçamento de consumidores e empresas.
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