
O avanço da digitalização dos serviços bancários vem transformando a forma como os catarinenses acessam as instituições financeiras, mas os números apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) revelam o tamanho do impacto da redução da estrutura física. Em dez anos, Santa Catarina perdeu 40% das agências bancárias, enquanto o número de postos de trabalho no setor caiu 30%. Diante desse cenário, a Alesc deverá criar uma comissão para discutir propostas que garantam a manutenção do atendimento presencial.
A audiência, realizada nesta quarta-feira (05) e coordenada pelo deputado estadual Padre Pedro Baldissera, foi solicitada pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC). Segundo os dados apresentados pelo economista do Dieese, Gustavo Cavarzan, 44% dos municípios catarinenses não possuem atualmente uma agência bancária, situação que afeta mais de 600 mil pessoas. Para o economista, a ausência dessas estruturas gera reflexos que vão além do atendimento ao cliente e atingem diretamente a economia dos municípios.
“Isso traz uma série de consequências para os clientes e para a economia desses municípios”, disse.“Reduz a arrecadação dos municípios, prejudica as pequenas empresas, as pessoas mais vulneráveis. Além disso, há uma tendência a aumento da inadimplência no pagamento dos tributos”, disse Cavarzan.
Outro dado que chama atenção é a expansão dos correspondentes bancários. Santa Catarina possui 12,3 mil estabelecimentos desse tipo, aproximadamente 21 vezes mais do que o número de agências bancárias. Na avaliação do Dieese, enquanto clientes de maior renda ainda encontram maior disponibilidade de atendimento presencial, parte da população de baixa renda fica concentrada nos correspondentes, o que pode limitar o acesso a serviços financeiros mais complexos.
Além do impacto sobre os clientes, a redução da estrutura bancária também afeta os trabalhadores. Com menos agências e postos de trabalho, os bancários que permanecem no setor passam a absorver uma demanda maior, aumentando a sobrecarga.
Diante desse cenário, a criação da comissão na Alesc pretende transformar os números apresentados em propostas concretas para preservar o atendimento presencial em Santa Catarina. O objetivo é discutir mecanismos legais que impeçam que a modernização dos serviços financeiros resulte na exclusão de milhares de catarinenses que ainda dependem das agências físicas.






