
A busca por crédito no Brasil registrou crescimento de 16,59% em março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito. O levantamento também indica que o volume de consultas realizadas pelo setor financeiro cresceu 32,52% em fevereiro, na mesma base de comparação anual.
O perfil dos consumidores que procuraram crédito em março é majoritariamente masculino, representando 53,62% do total. A faixa etária mais presente foi a de 40 a 49 anos, com participação de 24,08%.
Apesar do aumento na busca, apenas 1,85% dos consumidores consultados efetivaram a contratação de algum serviço de crédito. Entre esses, 84,12% optaram por empréstimos e 14,76% por financiamentos.
“Em tempos de inadimplência elevada, o crédito consciente deixa de ser uma escolha financeira e passa a ser uma estratégia de sobrevivência. É comum o surgimento de ofertas de crédito sem consulta a órgãos de proteção que embutem taxas abusivas ou garantias perigosas. Tomar recursos sem planejamento quando as portas do mercado se fecham é trocar um problema de liquidez por uma sentença de insolvência”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Os dados também mostram que, no momento da consulta, 37,85% dos consumidores possuíam alguma restrição ativa, o que indica um cenário de dificuldade no acesso ao crédito.
Entre os setores que mais realizaram consultas, destaca-se o de intermediação monetária com depósitos à vista, responsável por 43,26% dos registros, seguido pelas atividades auxiliares dos serviços financeiros, com 20,28%.
Regionalmente, o Sudeste lidera o número de consultas, com 46,07%, seguido pelo Nordeste (21,73%), Sul (16,88%), Centro-Oeste (8,52%) e Norte (6,80%).
“O acesso restrito ao crédito é o reflexo de um mercado em alerta. Nesse cenário, a pressa em buscar liquidez em linhas de juros abusivos é o caminho mais curto para o superendividamento. O crédito deve servir como ponte para a estabilidade, nunca como um peso que aprofunda o abismo financeiro”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.










