Pacientes ostomizados denunciam falta de bolsas coletoras em Santa Catarina
Associação que representa mais de seis mil pessoas cobra regularização do fornecimento de materiais pelo SUS; Secretaria de Estado da Saúde afirma que vai apurar os relatos
Candinha Marchi, presidente da Associação Catarinense da Pessoa Ostomizada (Foto por Igor Valentim Silveira / Agência Alesc)
Mais de seis mil pessoas com estomia são atendidas pelo serviço estadual de saúde em Santa Catarina, mas parte dos pacientes relata dificuldades para receber regularmente bolsas coletoras e outros materiais necessários aos cuidados diários. A falta dos insumos foi denunciada pela Associação Catarinense da Pessoa Ostomizada (ACO), que cobra providências da Secretaria de Estado da Saúde.
O problema foi levado à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), durante reunião realizada a partir de um requerimento do deputado Neodi Saretta (PT). Representantes da associação apresentaram relatos de pacientes de diferentes municípios e entregaram um abaixo-assinado com reivindicações.
A presidente da ACO, Candinha Marchi, afirmou que a irregularidade no fornecimento de bolsas, adjuvantes e outros insumos tem prejudicado pessoas que dependem desses materiais para manter a higiene e a saúde. Segundo ela, a falta dos produtos pode provocar infecções, isolamento social e perda da qualidade de vida.
Um dos casos apresentados foi o de Jussara, moradora de São José, que estaria há quatro meses sem receber a bolsa coletora de que necessita. A associação questiona se os problemas estão relacionados a processos de licitação, fabricação ou distribuição dos materiais.
A entidade também pediu um cronograma para a regularização do abastecimento, maior transparência nas informações e participação dos representantes dos pacientes nas discussões com os órgãos responsáveis.
Secretaria diz que vai apurar reclamações
Durante a reunião, Jaqueline Reginatto, representante da Secretaria de Estado da Saúde, afirmou ter recebido com surpresa os relatos. Segundo ela, Santa Catarina disponibiliza 58 itens para pessoas com estomias intestinais e urinárias, incluindo materiais que não fazem parte da relação habitual do Sistema Único de Saúde (SUS).
A representante informou que o Estado mantém um serviço especializado desde 1988 e que investiu mais de R$ 50 milhões na aquisição de insumos para esse público em 2025.
Sobre as dificuldades relatadas, Jaqueline mencionou problemas na disponibilidade de cintos de segurança utilizados por pacientes com estomia, situação que, segundo ela, ocorre há aproximadamente seis meses. A representante ressaltou que esse acessório é diferente da bolsa coletora.
Ela também afirmou que não tinha conhecimento das denúncias envolvendo pacientes de São José e Florianópolis e que levaria as informações à Secretaria para verificar onde estão ocorrendo as falhas.
Associação cobra investigação e participação dos pacientes
Durante o encontro, Flávia, representante da associação e também paciente, defendeu que a Secretaria investigue as etapas do fornecimento para identificar a origem dos problemas. Ela ressaltou a importância de ouvir as pessoas que dependem dos materiais e corrigir eventuais falhas na assistência.
O deputado Neodi Saretta também defendeu a apuração das reclamações e informou que já foi solicitada aos municípios uma avaliação sobre o fornecimento dos insumos.
Segundo o parlamentar, a assistência pelo SUS envolve responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios. A intenção é reunir informações sobre as dificuldades relatadas e buscar soluções junto à Secretaria de Estado da Saúde e às entidades que representam os pacientes.
Continue por aqui
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.


















