
A política de pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas tem gerado preocupação entre as indústrias do Brasil. Um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a medida pode elevar em média 16,4% os custos de frete para o setor industrial, impactando diretamente a competitividade das empresas e o preço final dos produtos.
Embora os maiores impactos tenham sido registrados nas regiões Nordeste e Norte, a CNI destaca que os efeitos também são significativos no Sul, uma das regiões mais industrializadas do país e fortemente dependente do transporte rodoviário para escoar a produção.
Setores como alimentos, máquinas e equipamentos, metalurgia, móveis e produtos agroindustriais, que possuem forte presença em estados como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, estão entre os que podem sentir os reflexos da elevação dos custos logísticos.
A pesquisa ouviu 1.571 empresas industriais de todo o país e revelou que 94% das indústrias que utilizam transporte rodoviário perceberam impactos negativos da política de frete mínimo. Além disso, 64% classificaram esses efeitos como altos ou muito altos.
Na avaliação da entidade, o aumento dos custos pode comprometer a competitividade das empresas, especialmente aquelas que dependem de longas distâncias para abastecimento de matérias-primas ou distribuição de produtos para outros mercados do país. O cenário preocupa principalmente pequenas e médias indústrias, que possuem menor capacidade de absorver aumentos nos custos operacionais.
Outro ponto levantado pela CNI é a discussão da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, conhecida como MP do Frete. Segundo a entidade, o reforço da fiscalização e o endurecimento das penalidades para quem descumprir a tabela de preços mínimos podem ampliar ainda mais os gastos com logística e gerar efeitos em toda a cadeia produtiva.
A confederação defende ajustes na proposta durante a tramitação no Congresso Nacional. Para a entidade, a revisão das regras é necessária para garantir equilíbrio entre a remuneração do transporte e a competitividade da indústria brasileira, especialmente em regiões como o Sul, onde a atividade industrial tem papel estratégico na geração de empregos e no desenvolvimento econômico.







